.pistas

Horas, dias e meses relutantes.  Tramando e travando uma batalha épica com o seu eu lírico, e, eis que você toma coragem para se apresentar. Armado com pouco mais do que esperança num fascínio palpável.

Estuda as formas, os jeitos, assisti a diversos filmes, aconselha-se com amigos, lê alguns livros. Avalia cautelosamente seus movimentos e em frente ao espelho, executa um teste de elenco, cujo monologo pode decidir o seu futuro amoroso. Bom, aí está o sarcasmo, para cobrir a acidental amostra de covardia. Seria perfeito! Não fosse o medo! Nem tudo é uma questão de tempo.

Então… As pistas.

Cada pequeno detalhe minuciosamente estudado. Algumas especulações. Sondagens, nada como ouvir o que as pessoas têm a dizer, afinal, quando quiser saber como uma pessoa é, não pergunte a ela.

Ponderadamente conclui. Será hoje! Darei cabo a esse desejo intoxicante provedor desse sentimento inquietante. Escolhe o lugar, sincroniza o relógio com os dados astrológicos, repassa o texto pela última vez…

“Quando a escuridão consome a luz das estrelas, é o seu rosto que eu vejo. Mergulhado em seu sorriso e incapaz de mentir, eu sei que não será perfeito pelo que viermos a fazer, pois faríamos o que qualquer um faria, mas que seja perfeito com base no sentimento empregado. A perfeição exigi sacrifícios! Cá estou eu agora, driblando o desejo, dizimando ideias, afogado em anseio e embebedado pelo seu olhar. Sufocando sonhos, imerso em expectativas, sepultando medos. Enganando o gosto amargo da saudade, não há o que fazer para mudar a realidade! Em cada escolha, uma privação. Nossos  receios e preocupações são os mesmos, e já que fomos de amigos a confidentes. Eu sou réu confesso desse amor e me declaro culpado!”

Desarmado pelo sorriso dela, ouviu a sentença.

Absolvido! Pois foi em defesa pelo o amor à doutrina que ela acreditava, a considerar como verdadeiras as palavras que ele alegava. E no final, qual o motivo de tudo isso?!.. Se não ao menos tentar enxergar, que a tal felicidade, não seja algo assim, tão abstrata.

.máscaras

“Agindo a meu próprio risco, refiz certas escolhas, em meio a risos. Acolhido por desejos, refutando-os transtornado. Pedaço subestimado da melhor parte de mim exposto no abismo que se formou entre nossos olhares.”

the masks

Numa estória real, mais verídica do que lúdica, as palavras tomaram formas ambiciosas e irredutíveis. Aparentemente parece que o parecer dado revelou sorrisos de fachada, aparência civilizada, escondendo nossos reais interesses em meio à cortina de fumaça.  Fez-se uma atmosfera inundada de reflexão que em dias bons, você sabe, há algo extremamente desconfortável em reconhecer isso.

Rostos petrificados transformam a dúvida numa muralha intransponível. Resultado do medo que brota do desespero quando se mexe nos pontos cegos da alma. Revelado através da troca intima e profunda de olhares. Sim! Falo da vitalidade que embala as emoções e ludibria a razão, enquanto o utópico desejo de representar algo que não sejamos, ou até mesmo interpretar papéis dignos de nota, em dadas circunstâncias, soe mais atraente.

Nós vasculhamos oportunidades em todos os segmentos, cansativa e exaustivamente, em busca de algo palpável ou tangível que reforce a ideia de que nem tudo seja impossível. É um jogo tolerável e, basta não deixar-se levar pelo momento, enxergar a situação como um todo.

Ânimos exaltados cegam a nossa capacidade racional de analisar os detalhes. Isso! Os detalhes.  Tudo está interligado, e na matemática da vida, a ordem dos fatores corrobora o resultado. Ler mais

.acaso [3]

Photography by Jacques Philippe

Tudo começa com o talento para conversa.

Nos primeiros passos há uma religiosa paciência na escuta de todos os detalhes que compõem um corriqueiro dia a dia. Essa conversa deveria evidenciar algum sintoma ou algo que denunciasse a natureza de seu interesse. A julgar pelos olhares nós sabemos, no início, o nirvana oriundo daquele conjunto de reações químicas, desqualifica o nosso discernimento.

Photography By Fulvia Menghi

Descortina-se o charme e os níveis de atratividade alcançam graus elevados, a combinação perfeita para o ato. Atam-se novos laços através de percalços do intuito, intuitivamente ligados aquele ávido desejo de completar as lacunas do passado. Ludibriados pelos assuntos delicados criamos nós em nós mesmos. E é através das pequenas coisas que sentimos vertigens só de pensar! Suponho que não seja condescendente, encarar isso, como uma inconveniente anomalia desde que haja ao menos um vestígio de veracidade. Certas coisas são raras e insubstituíveis, bem como a torrente de fatos semelhante a uma corredeira, que pode tomar diversos afluentes, mas jamais mudar o seu fluxo natural. É incomensurável o benefício em reconhecer a beleza entre dois pontos de vista divergentes e tratá-los como aliados. Em escalas que variam: Eu sou hipócrita! Você é hipócrita! E se você discorda, é um sinal característico dos que não sabem por onde andar. Ler mais

.gestos

Experimentando o sereno no decorrer da noite, fitei a dúvida valendo-se de sua superioridade hierárquica para impor-se de forma abrupta. Indisciplinado, reagi a minha maneira. Em meio ao silêncio, escravo do tempo, pude perceber o quanto ainda restava. Do sorriso às palavras, e nos gestos (intimidadores e comunicativos) que ainda evito, sempre que me vejo sozinho. Tentando evitar o inevitável. É desnecessário! Ainda que precário, sobretudo injusto, destino incontestável.

Fujo a violência que me leva aos atos sem pensar, busco o silêncio que ainda espera a arte de interpretar o olhar. Aquele que às vezes interrompemos sem saber o que falar. Embriagado pela música crio novos espaços. Olho sem ver além do que a limitação me permita perceber. Em busca de qualquer ideia que me agrade. Ler mais

.palavras, caráter e expectativa

Palavras

Palavras são apenas palavras, quiçá a forma como estejam dispostas remontem a elas um significado, e este, pode e deve ter diversas conotações de acordo com a sua vivência.

Elas podem começar ou terminar uma guerra, delinear as atribuições e obrigações entre um contratante e um contratado, ou simplesmente, devagar através de inúmeros parágrafos o que um singelo olhar, facilmente conseguiria.

.palavras

As palavras contam histórias…

Caráter

… E todos tem uma história. Um porque, um ponto de partida. O pontapé que dá início a magnifica ordem aleatória de fatores que podem ou não nos levar a algo glorioso. Indago a incógnita chave do que ainda não foi revelado. O que está nas entrelinhas. O que não nos foi dito. E qual é a maneira lógica, ou racional, de obter estas respostas?!.. Ler mais

.óbvio

“Levei tanto tempo para enxergar o óbvio.”

Hoje, chegar não é o crucial, desde que durante a caminhada as pessoas certas estejam comigo. Não tenho o intuito enunciar frases feitas de cartões ou citar pseudo-ensinamentos de auto-ajuda. Só quero deixar registrado que por muito menos drama, seríamos todos mais felizes. Por quantas crises financeiras não passamos? Dificuldades de entendimento? Visões de mundo divergentes? Desavenças tão pequenas que senão fosse à limitação da memória tomariam maiores proporções? Ler mais

.chuva

“Lembrei ao ouvir músicas, que deveria esquecer o que tudo aquilo significava.”

O conjunto de todos aqueles argumentos medíocres, que tentavam de forma vã e frustrada descrever o inexplicável, naquele momento caiu por terra.

Na porta de um bar fechado contemplávamos a chuva. Olhando para o céu versava possibilidades. O calor de seu peito aquecia minhas costas. Havia uma construção em volta. Os pingos ditavam o ritmo de nossos pensamentos. De forma atípica e desritmada, o tempo parava. Ler mais

.bússula

O que é certo? / O que é errado?

São diretrizes construídas há séculos, certo?
Errado seria crer que estejamos imunes a influências externas. Afinal, uma série de fatores propiciaria para tal ou tal coisa.
Que tal quebramos certos dogmas e paradigmas, adotarmos uma visão imparcial para que possamos chegar a um consenso, não do que é certo ou errado, mas do que seria benéfico para todos.

Ajustemos nossa bússula moral e quando o mestre de cerimônia abrir as cortinas, que a interpretação provoque aplausos e que as lágrimas sejam de emoção.

.grão

“Se colhemos o fruto de nossas atitudes, o bom seria selecionarmos cautelosamente a semente.”

Foram plantadas diversas sementes. A chuva as atingiu igualmente, na vertical e horizontal, mas o sol de maneira desigual. E não por falta de fé, mas porque nem todos os dias são iguais. O solo, agora fértil estava repleto de dramas particulares, vidas e vindas, vindas e vidas.

Nesse movimento continuo descortinou-se claros pensamentos, que se não fossem inspirados no desejo de desafiar o destino, soariam um tanto luxuriosos, obstinados e libertinos. Contraditório? Ou irrisório? Ler mais

.o castelo da mentira

“Melhor do que tentar conhecer os outros, é olhar para si mesmo, desvendar-se e desnudar-se”

Tenho a mentira como se fosse um castelo. A confiança é um prédio frágil por dentro, mas extremamente robusto por fora, ironicamente contraditório, mas de simples compreensão. Leva-se anos para construir a confiança, cada pedrinha é meticulosamente colocada, resultado de um frio e ardiloso trabalho calculista, amador e natural. Quando devidamente consolidada, ela é “quase” indestrutível, não fosse por um deslize.

A mentira.

A mentira em si não é o que destrói a confiança, há proporções e proporções, mas o que ela acarreta.

A desconfiança.

Anos a fio e inúmeras situações, dispõem um catálogo não desprezível de recordações necessário para consolidar a confiança, mas apenas um pequeno e fagueiro escorregão para desabar o castelo.

A verdade é um metal muito nobre, mas pouco puro. E, claro! Isso envolve um emaranhado complexo de impulsos e estímulos bem diversificados.

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