.acaso


Em minha sincera opinião é inválido o argumento de que certas medidas não são dignas de plausibilidade na hora do término. Principalmente se levarmos em consideração que num relacionamento, sempre um há de gostar mais do que o outro, prova disso é que o amor por si, se enquadra em algo inexplicável. Do contrário, o amor seria como uma ciência exata, na qual uma fórmula miraculosamente bem estruturada seria capaz de explicá-lo, tal como “1+1 = felizes para sempre”, porém, é justamente um conjunto aleatório de fatores que o torna tão belo e místico.

Infelizmente nem todas as pessoas investem naquilo que o dinheiro não compra. E, bens materiais são facilmente restituídos…

É sábio adotar novas práticas em termos evolucionários, não? Desde que ninguém seja prejudicado? Caso no qual alguns infelizmente teimam em negligenciá-lo. Nessa hora, níveis de atratividade e conexão emocional são de pouca valia, figura-se então uma falsa impressão de lisonjeio e uma súbita vontade de sentir-se desejado(a). Por que para algumas pessoas é tão difícil fazer uma avaliação de conseqüências? De que adiantam soluções inaplicáveis?

E convenhamos, cada um vê e entende as coisas como quer, está em um estágio diferente, impulsionado pelos seus próprios motivos. É parte inexoravelmente natural do nosso processo evolutivo mudar de opinião, interesse, ritmo, desejo, afinidade, preocupações, temores e uma outra série de inúmeras coisas no decorrer da vida e, a única forma de mantermos um relacionamento estável é se ambos mudarem simultaneamente, trabalharem seus hábitos de audição e flexibilidade, mas ops!!.. Diante da tal, loteria genética, que resulta em seres intrinsecamente exóticos, particulares, singulares, distintos e etc… Isso figura como algo, impossível?!..

Prefiro pensar que um relacionamento esteja atrelado apenas ao acaso e a aleatoriedade, do que a uma fórmula matemática. Pois a única certeza que eu tenho de que um dia eu serei 100% feliz, é justamente a dúvida.  Ou talvez seja tudo uma questão de química.

“Tão bom quanto morrer de amor, é continuar vivendo”Mário Quintana

[Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças]

intrinsecamente
    • Lau
    • Agosto 10th, 2009

    amei esse….

  1. Ao ler este texto me lembrei de 2 músicas: “2+2=5″, do Radiohead (“2 e 2 sempre resultam em 5″) e “70%”, do André Abujamra (“100% não existe/ ninguém é somente triste/ 100% gato mia/ ninguém é só alegria”)…
    Mas “Brilho eterno de uma mente sem lembranças” pra mim é o melhor filme sobre relacionamentos, principalmente pelas últimas falas de Clementine e Joel.
    E acho que de certo modo essas falas são a fórmula, se as pessoas se amam. Elas nao serão 100% felizes, até pq não é possível, mas se se esforçarem, provavelmente chegarão aos 70% por parte suficiente do tempo para que sintam que os outros 30% ou a outra parte do tempo seja compensada.
    Outro filme mto bom sobre relacionamentos é “A história de nós dois”, que aborda justamente isso de a parte boa da relação valer a pena.

    • So
    • Setembro 19th, 2009

    Se tudo nessa vida fosse medido, calculado e comprovado, diria que ela seria chata e quadrada. =P
    O interessante dos relacionamentos é que podemos objetivá-los como um alívio de saber que entendemos de alguma coisa, mas a maioria do seu conteúdo é subjetivo. Você não mede a emoção, o quanto uma pessoa gosta e nem sabemos descrever o quanto amamos uma pessoa. É infinito porque é complexo. Mas enfim, a dúvida permite-nos ter a humildade de admitirmos não saber de tudo; é o que permite o amadurecimento pessoal. A dúvida move os cientistas, os poetas e até pessoas interessantes como você! Hahahaha! ;)
    Bom, acho que é isso…!
    Beijão!

    • Mánu
    • Janeiro 29th, 2010

    Em minha humilde e singela opinião, só pelo simples fato de estarmos em constante mudança, representa que temos conhecimento, mesmo que peculiarmente, da nossa enorme possibilidade de erros, os relacionamentos de fato são um campo minado para qualquer ser humano.
    Como entender aquele momento em que tudo para, em que o pensamento vai longe, em que se sente frio e, calor e, cocegas e, vontade de correr e, vontade de desmaiar tudo ao mesmo tempo e misturado, nada tem o amor a ver com isso, mas sim a paixão cega, fácil, impetuosa, acredito que se vivessemos de paixão as coisas seriam mais simples, seriam sentimentos avassaladores que nos fariam mudar tudo em detrimento daquela pessoa e qdo findassem, levariam consigo quaisquer mágoas e tudo seria limpo, claro e indolor a longo prazo.
    Claro que seríamos irracionais e volúveis, mas tudo seria breve e simples, diferente de quando amamos outra pessoa, seja qual for o tipo de amor, pois creio eu, o amor seja uma condição construida com esforço, determinação, capacidade de ceder, compreensão, desejo, paciencia e principalmente dedicação, o amor ocupa espaço e tempo de nossas vidas, nos torna dependentes e ligados ao outro de maneira irreparável e inquebrável, mas tudo chega ao fim e com o amor, diferente da paixão, resta muito o que pensar, muito o que lamentar, marcas para recordar, feridas a cicatrizar….
    Como descobrir quando amamos alguém?
    Minha sábia mãe que acredito, aos 65 anos já tenha vivido uma enorme gama de coisas, costuma dizer que devemos amar àqueles que nos amam, e que aqueles que nos amam, nos amam apesar dos defeitos e não devido às qualidades. Amamos aqueles que nos são compatíveis, amamos aqueles que nos tiram o folego inicialmente e conseguem ser penetrantes e interessantes o suficiente para resistir à efemeridade da paixão.

    • Paulinha
    • Janeiro 29th, 2010

    Não acredito no destino e tampouco predestinação, mas acredito sinceramente no acaso (e tenho gostado bastante dele). Os términos e começos são sempre “desleais”, alguém sempre gosta mais do que outro, não porque o outro não despertou o suficiente, mas por reações diferentes que a paixão ou o amor provocam de supetão (digo isso por experiência própria). Portanto, o único momento, e olhe lá, que os dois se gostam na mesma profundidade é no durante, no meio, no agora… Inevitavelmente inícios e fins são sempre conturbados… hehe

    Os seus dois posts que li até agora, trazem consigo marcas de um certo rancor, como se os problemas e dores particularmente lhe inspirassem, utilizando a escrita como uma certa atividade analgésica… Gosto disso, mas espero que no futuro bons momentos e experiências lhe inspirem (!)

    “Prefiro pensar que um relacionamento esteja atrelado apenas ao acaso e a aleatoriedade” Ah… não seria pra tanto, hehe. Foi como disse no parágrafo acima, o movimento ininterrupto das mudanças fazem parte do ser humano e é graças a essa correlação de força entre saber doar e receber, perder e ganhar, que as pessoas se unem. Não de uma forma utópica, ou como mesmo disse, matemática.

    “a única forma de mantermos um relacionamento inabalável é se ambos mudarem simultaneamente, mas, ops!!..” A harmonia está dentro do caos, para extrair uma é preciso se entregar a outra… A mudança é necessária, mas o simultâneo não (assim, retornaríamos ao 1+1=2). A recíproca é necessária, mas o simultâneo não. Cada mudança tem seu tempo e as vezes, é melhor termos paciência e esperá-la do que viver a monotonia da simetria… Somos movidos a escolhas, que abre e fecha diversas portas, o desafio da mudança é se no final ambos buscarão a mesma entrada/saída.

    A contradição é inevitável e a perfeição é utópica. E cá entre nós, se esse tal de equilibrio realmente existisse seria muito sem graça =P

    • Pri Prado
    • Janeiro 29th, 2010

    2 coisas:

    - “O mais importante não é o amor. O mais importante é a gentileza.” (Dostoiévski)

    - “[...] me faz ter certeza que nossas conexões não são ao acaso. Ou que nosso conceito de acaso é muito limitado. Ou que nossa percepção das conexões é muito pequena ainda.” (Mauro Motoki – http://mauromotoki.blogspot.com/)

    • Fernanda Rimach
    • Abril 18th, 2010

    O que acontece num relacionamento é ninguém ama igual a ninguém, da mesma forma que ninguém pensa igual a niguém, rezumindo até vc achar o pé de chinelo velho pros seus pés cansados vc vai sofrer muito por amor na vida ..

  2. Já viram aquele parachoque de caminhão: “Não tenho tudo que amo mas amo tudo que tenho”? Pois bem, com a devida ressalva do uso do verbo ter no sentido de possuir, mas acho que esse singelo trocadilho traz uma soluçãozinha, se a pessoa ama-se, digo possui auto-estima (não tão grande que se transforme em arrogância) e tem prazer pelas coisas da vida, não abre mão de buscar fazer o que gosta, o relacionamento é a oportunidade de escolha de alguém a quem compartilhar essa coisa pelo infinito período que o mesmo durar… Em um relacionamento respeitoso (p/ os 2 lados é claro) as mudanças são oportunidades únicas de testar a honestidade sobre “pra que lado quero ir”. Não é incomum uma situação adversa, no fim das contas gerar um aumento tesão, paixão ou amor ao passo que a passividade – que gera casais bonitinhos que a família e amigos adooooram – são muitas vezes verdadeiras bombas relógios sem Macgiver pra desarmar…

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