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“Lembrei ao ouvir músicas, que deveria esquecer o que tudo aquilo significava.”

O conjunto de todos aqueles argumentos medíocres, que tentavam de forma vã e frustrada descrever o inexplicável, naquele momento caiu por terra.

Na porta de um bar fechado contemplávamos a chuva. Olhando para o céu versava possibilidades. O calor de seu peito aquecia minhas costas. Havia uma construção em volta. Os pingos ditavam o ritmo de nossos pensamentos. De forma atípica e desritmada, o tempo parava.

À noite nos entorpecia, enquanto a luz que emanava do seu sorriso cegava meus medos.

Lembrei com vivacidade da pressão de seus dedos sobre meu rosto. A forma singular como seus olhos me vestiam de prazer. Absorto pelo seu perfume! Arrebato em êxtase! Eu a amei! Com suas qualidades e seus defeitos. O tempo não tinha mais proporções de medida; aaaaah… As ondas; abdiquei de mim, talvez a maresia.

Quantas inúmeras vezes não perdemos a chance de dizer a quem amamos o que sentimos, por mera inabilidade com as palavras ou orgulho?!..

A natureza sorria enquanto dirigíamos nossas vidas. Hora honra desperdiçada fazendo façanhas, ora, ao menos tentando. Tão livres… Tão livres… Dos caminhos que imaginava aos sonhos que sondava. Em seu incauto olhar algo a denunciava, não obstante efêmero sentimento. Impotente frente a seus caprichos, foi por doce pirraça que eu desisti.

“Mas – se você parar para analisar – É sempre as mesmas histórias, ainda que em tempos diferentes”.

Era meu jardim do éden, ou pelo menos o que parecia, e ainda havia aquele inegável sabor de perder a noção da natureza de coisas como o certo e o errado. Fomentava ávido desejo de consumar insaciável apetite a perversidades. Maldito sussurro alcoviteiro!

“As horas passam… A saudade aumenta, o olhar perscruta, a mente titubeia, o receio impede, a razão se perde, o medo incomoda, a distância sufoca, a imaginação acolhe e o desejo permanece. Vívido e ativo! Cativante e inebriante.”

O lógico não era mais lógico, muito menos evidente. Tocado pela particularidade de cada um daqueles memoráveis momentos, bebi das lembranças aquela sede de viver tudo novamente. Éramos jovens, e além do meio-tempo, ainda há muito que se aprender. Porque ao contrário de aventuras, há histórias construídas em solos férteis.

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