.pistas


Horas, dias e meses relutantes.  Tramando e travando uma batalha épica com o seu eu lírico, e, eis que você toma coragem para se apresentar. Armado com pouco mais do que esperança num fascínio palpável.

Estuda as formas, os jeitos, assisti a diversos filmes, aconselha-se com amigos, lê alguns livros. Avalia cautelosamente seus movimentos e em frente ao espelho, executa um teste de elenco, cujo monologo pode decidir o seu futuro amoroso. Bom, aí está o sarcasmo, para cobrir a acidental amostra de covardia. Seria perfeito! Não fosse o medo! Nem tudo é uma questão de tempo.

Então… As pistas. Continue reading “.pistas”

.gestos


Experimentando o sereno no decorrer da noite, fitei a dúvida valendo-se de sua superioridade hierárquica para impor-se de forma abrupta. Indisciplinado, reagi a minha maneira. Em meio ao silêncio, escravo do tempo, pude perceber o quanto ainda restava. Do sorriso às palavras, e nos gestos (intimidadores e comunicativos) que ainda evito, sempre que me vejo sozinho. Tentando evitar o inevitável. É desnecessário! Ainda que precário, sobretudo injusto, destino incontestável.

Fujo a violência que me leva aos atos sem pensar, busco o silêncio que ainda espera a arte de interpretar o olhar. Aquele que às vezes interrompemos sem saber o que falar. Embriagado pela música crio novos espaços. Olho sem ver além do que a limitação me permita perceber. Em busca de qualquer ideia que me agrade. Continue reading “.gestos”

.chuva


“Lembrei ao ouvir músicas, que deveria esquecer o que tudo aquilo significava.”

O conjunto de todos aqueles argumentos medíocres, que tentavam de forma vã e frustrada descrever o inexplicável, naquele momento caiu por terra.

Na porta de um bar fechado contemplávamos a chuva. Olhando para o céu versava possibilidades. O calor de seu peito aquecia minhas costas. Havia uma construção em volta. Os pingos ditavam o ritmo de nossos pensamentos. De forma atípica e desritmada, o tempo parava. Continue reading “.chuva”

.bússula


O que é certo? / O que é errado?

São diretrizes construídas há séculos, certo?
Errado seria crer que estejamos imunes a influências externas. Afinal, uma série de fatores propiciaria para tal ou tal coisa.
Que tal quebramos certos dogmas e paradigmas, adotarmos uma visão imparcial para que possamos chegar a um consenso, não do que é certo ou errado, mas do que seria benéfico para todos.

Ajustemos nossa bússula moral e quando o mestre de cerimônia abrir as cortinas, que a interpretação provoque aplausos e que as lágrimas sejam de emoção.

.grão


“Se colhemos o fruto de nossas atitudes, o bom seria selecionarmos cautelosamente a semente.”

Foram plantadas diversas sementes. A chuva as atingiu igualmente, na vertical e horizontal, mas o sol de maneira desigual. E não por falta de fé, mas porque nem todos os dias são iguais. O solo, agora fértil estava repleto de dramas particulares, vidas e vindas, vindas e vidas.

Nesse movimento continuo descortinou-se claros pensamentos, que se não fossem inspirados no desejo de desafiar o destino, soariam um tanto luxuriosos, obstinados e libertinos. Contraditório? Ou irrisório? Continue reading “.grão”

.o castelo da mentira


“Melhor do que tentar conhecer os outros, é olhar para si mesmo, desvendar-se e desnudar-se”

Tenho a mentira como se fosse um castelo. A confiança é um prédio frágil por dentro, mas extremamente robusto por fora, ironicamente contraditório, mas de simples compreensão. Leva-se anos para construir a confiança, cada pedrinha é meticulosamente colocada, resultado de um frio e ardiloso trabalho calculista, amador e natural. Quando devidamente consolidada, ela é “quase” indestrutível, não fosse por um deslize.

A mentira.

A mentira em si não é o que destrói a confiança, há proporções e proporções, mas o que ela acarreta.

A desconfiança.

Anos a fio e inúmeras situações, dispõem um catálogo não desprezível de recordações necessário para consolidar a confiança, mas apenas um pequeno e fagueiro escorregão para desabar o castelo.

A verdade é um metal muito nobre, mas pouco puro. E, claro! Isso envolve um emaranhado complexo de impulsos e estímulos bem diversificados.

.desengano


Quando se tem mais do que se precisa. Às vezes temos de perder para saber o quanto valia. Fica difícil avaliar o valor das coisas, ou o que se sentia.

Quem sabe não possamos lapidar corretamente o nosso senso de realidade? Suponho que o primeiro passo seja colocarmos sob fortes refletores os assuntos que teimamos em suscitar. Sinto o gosto amargo do desespero que brota, quando tento ler no rosto, as feições da alma. Atordoemos a mente racional!

Eu, você e o desconhecido. Nada é definitivo? Tão estranhos e tão íntimos. Não há como mudar o insubstituível, ele levou muito tempo para chegar a isso. Senti uma transformação visceral, acompanhada de catarse, segundo as escolhas mais profundas que eu poderia fazer. Reflexões estas que me fazem respirar fundo, apaziguado; sensação indizível. Não intentei dissimular minhas intenções, apenas corrigi.

Refrigera-me os pensamentos ter em mente, como é bom degustar pacientemente cada uma das coisas que eu tenho no presente. Ninguém consegue viver a mesma história pra sempre, portanto, quando tiver alguma dúvida do sentido da vida, é pra frente! Continue reading “.desengano”