.três


Então, é o fim.

Após aquele período que configura a zona de perigo, no qual o final varia de felizes para sempre a espero que haja ao menos diplomacia daqui pra frente. Sim! Falo dos pouco mais de cinco ou seis anos de namoro.

Dos eventos familiares aos encontros casuais e descontraídos dos amigos, no término, todos fazem questão de soltar aquela típica, constrangedora e desnecessária frase – Nooooooossa! Mas vocês terminaram? Aaaaahhh! Formavam um casal tão bonito! – É, formavam. Evite o óbvio.

Apesar de trabalhar com programação, eu nunca fui muito fã de matemática, mas para chegar à conclusão da regra de três, é desnecessário conhecimentos profundos em álgebra, é uma questão mais de humanas do que exatas. A regra de três do relacionamento funciona da seguinte forma, após longos anos de namoro e aquela postura “em cima do muro”, um dos dois fica de saco cheio e resolve “viver a vida” no melhor estilo “vive la vida louca”, passamos por aquele processo inexorável no qual independente da sua vontade, há de se encarar de frente, noites e noites procurando o culpado e eis que você segue com a vida. Legal!

Então, você conhece uma nova pessoa [ o(a) segundo(a) ], afinal, todos sabem, “nada melhor do que um novo amor para esquecer um antigo”, balela! O autor desta citação morreu de desgosto e não satisfeito em sucumbir em frustração misturada com ódio, fez questão de levar outros com ele. Por quê? Bom, cada um precisa do seu tempo, não respeitá-lo significa infringir o curso natural e o resultado? Tenta-se encontrar em outra pessoa, as mesmas qualidades da anterior, damos novamente aquele passo intencional rumo à desordem amorosa.

Aí você pensa – Ok! Talvez até aqui eu concorde e, onde entra a tal regra de três?

Neste ponto, seu(sua) ex- [ o(a) primeiro(a) ] resolve te ligar, para conversar, não que ele(a) queira retomar, não! Não! Mas você, como uma pessoa madura e civilizada topa se encontrar pessoalmente. Não há nada demais em reencontrar alguém que você tenha passado boa parte da sua vida e compartilhado momentos importantes e inesquecíveis, acima de tudo, constituído vínculos duradouros e fortes. O problema é que, dependendo do tempo que tenham terminado, um ou outro sempre retomará aqueles assuntos inacabados e quando menos se espera. Putz! Vocês voltaram.

Para não magoar [ o(a) segundo(a) ] você diz, “estou confuso(a), preciso de um tempo para avaliar melhor o que eu quero”. Após alguns dias você termina com [o(a) segundo(a)]. Por quê? Ah! Porque não seria justo magoa-lo(a) e continuar a arrastá-lo(a) para uma trilha cujo fim trágico poderia ser evidentemente evitado. Porém, por melhor que seja a sua argumentação, este(a), na maioria das vezes revoltado(a), recusa-se a manter contato ou até mesmo entender a logica macabra que o(a) fez optar por voltar com alguém, que até pouco tempo dizia odiar. Peripécias do destino.

Como é bom o doce gosto da ilusão inevitável, não? Pena que o seu efeito é de curta duração, e, agora, você decidido(a) sabe que aquele papo do “eu posso mudar” não cola mais, e não há necessidade de passar novamente por aquele penoso e pesaroso julgamento e reavaliação de valores. Isso mesmo! Assistimos aqui, aquele termino “quase” indolor.

Agora sim! [O(a) primeiro(a)] não tem mais volta, assunto acabado! Finalizado!
Mas já dizia o poeta, “fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho!”. E agora? Que tal tentar algo com [o(a) segundo(a)]? Não! Infelizmente ele(a) não compreenderia, aliás, ele(a) o(a) bloqueou em todos os meios de comunicação possíveis (infantil?!), talvez seja melhor assim. Pois bem, você conhece a terceira pessoa completamente imune a interferências e experiências ruins do passado. Atualmente, amadurecido, você resolve dar-se o direito de tentar investir em alguém do zero. Pronto, com uma probabilidade menor de fracasso em curto prazo.

Eis, o começo.

.pistas


Horas, dias e meses relutantes.  Tramando e travando uma batalha épica com o seu eu lírico, e, eis que você toma coragem para se apresentar. Armado com pouco mais do que esperança num fascínio palpável.

Estuda as formas, os jeitos, assisti a diversos filmes, aconselha-se com amigos, lê alguns livros. Avalia cautelosamente seus movimentos e em frente ao espelho, executa um teste de elenco, cujo monologo pode decidir o seu futuro amoroso. Bom, aí está o sarcasmo, para cobrir a acidental amostra de covardia. Seria perfeito! Não fosse o medo! Nem tudo é uma questão de tempo.

Então… As pistas. Continue reading “.pistas”

.gestos


Experimentando o sereno no decorrer da noite, fitei a dúvida valendo-se de sua superioridade hierárquica para impor-se de forma abrupta. Indisciplinado, reagi a minha maneira. Em meio ao silêncio, escravo do tempo, pude perceber o quanto ainda restava. Do sorriso às palavras, e nos gestos (intimidadores e comunicativos) que ainda evito, sempre que me vejo sozinho. Tentando evitar o inevitável. É desnecessário! Ainda que precário, sobretudo injusto, destino incontestável.

Fujo a violência que me leva aos atos sem pensar, busco o silêncio que ainda espera a arte de interpretar o olhar. Aquele que às vezes interrompemos sem saber o que falar. Embriagado pela música crio novos espaços. Olho sem ver além do que a limitação me permita perceber. Em busca de qualquer ideia que me agrade. Continue reading “.gestos”

.palavras, caráter e expectativa


Palavras

Palavras são apenas palavras, quiçá a forma como estejam dispostas remontem a elas um significado, e este, pode e deve ter diversas conotações de acordo com a sua vivência.

Elas podem começar ou terminar uma guerra, delinear as atribuições e obrigações entre um contratante e um contratado, ou simplesmente, devagar através de inúmeros parágrafos o que um singelo olhar, facilmente conseguiria.

.palavras

As palavras contam histórias…

Caráter

… E todos tem uma história. Um porque, um ponto de partida. O pontapé que dá início a magnifica ordem aleatória de fatores que podem ou não nos levar a algo glorioso. Indago a incógnita chave do que ainda não foi revelado. O que está nas entrelinhas. O que não nos foi dito. E qual é a maneira lógica, ou racional, de obter estas respostas?!.. Continue reading “.palavras, caráter e expectativa”

.chuva


“Lembrei ao ouvir músicas, que deveria esquecer o que tudo aquilo significava.”

O conjunto de todos aqueles argumentos medíocres, que tentavam de forma vã e frustrada descrever o inexplicável, naquele momento caiu por terra.

Na porta de um bar fechado contemplávamos a chuva. Olhando para o céu versava possibilidades. O calor de seu peito aquecia minhas costas. Havia uma construção em volta. Os pingos ditavam o ritmo de nossos pensamentos. De forma atípica e desritmada, o tempo parava. Continue reading “.chuva”

.grão


“Se colhemos o fruto de nossas atitudes, o bom seria selecionarmos cautelosamente a semente.”

Foram plantadas diversas sementes. A chuva as atingiu igualmente, na vertical e horizontal, mas o sol de maneira desigual. E não por falta de fé, mas porque nem todos os dias são iguais. O solo, agora fértil estava repleto de dramas particulares, vidas e vindas, vindas e vidas.

Nesse movimento continuo descortinou-se claros pensamentos, que se não fossem inspirados no desejo de desafiar o destino, soariam um tanto luxuriosos, obstinados e libertinos. Contraditório? Ou irrisório? Continue reading “.grão”

.o castelo da mentira


“Melhor do que tentar conhecer os outros, é olhar para si mesmo, desvendar-se e desnudar-se”

Tenho a mentira como se fosse um castelo. A confiança é um prédio frágil por dentro, mas extremamente robusto por fora, ironicamente contraditório, mas de simples compreensão. Leva-se anos para construir a confiança, cada pedrinha é meticulosamente colocada, resultado de um frio e ardiloso trabalho calculista, amador e natural. Quando devidamente consolidada, ela é “quase” indestrutível, não fosse por um deslize.

A mentira.

A mentira em si não é o que destrói a confiança, há proporções e proporções, mas o que ela acarreta.

A desconfiança.

Anos a fio e inúmeras situações, dispõem um catálogo não desprezível de recordações necessário para consolidar a confiança, mas apenas um pequeno e fagueiro escorregão para desabar o castelo.

A verdade é um metal muito nobre, mas pouco puro. E, claro! Isso envolve um emaranhado complexo de impulsos e estímulos bem diversificados.