.acaso [3]


Photography by Jacques Philippe
Tudo começa com o talento para conversa.

Nos primeiros passos há uma religiosa paciência na escuta de todos os detalhes que compõem um corriqueiro dia a dia. Essa conversa deveria evidenciar algum sintoma ou algo que denunciasse a natureza de seu interesse. A julgar pelos olhares nós sabemos, no início, o nirvana oriundo daquele conjunto de reações químicas, desqualifica o nosso discernimento.

Photography By Fulvia Menghi

Descortina-se o charme e os níveis de atratividade alcançam graus elevados, a combinação perfeita para o ato. Atam-se novos laços através de percalços do intuito, intuitivamente ligados aquele ávido desejo de completar as lacunas do passado. Ludibriados pelos assuntos delicados criamos nós em nós mesmos. E é através das pequenas coisas que sentimos vertigens só de pensar! Suponho que não seja condescendente, encarar isso, como uma inconveniente anomalia desde que haja ao menos um vestígio de veracidade. Certas coisas são raras e insubstituíveis, bem como a torrente de fatos semelhante a uma corredeira, que pode tomar diversos afluentes, mas jamais mudar o seu fluxo natural. É incomensurável o benefício em reconhecer a beleza entre dois pontos de vista divergentes e tratá-los como aliados. Em escalas que variam: Eu sou hipócrita! Você é hipócrita! E se você discorda, é um sinal característico dos que não sabem por onde andar. Continue reading “.acaso [3]”

.gestos


Experimentando o sereno no decorrer da noite, fitei a dúvida valendo-se de sua superioridade hierárquica para impor-se de forma abrupta. Indisciplinado, reagi a minha maneira. Em meio ao silêncio, escravo do tempo, pude perceber o quanto ainda restava. Do sorriso às palavras, e nos gestos (intimidadores e comunicativos) que ainda evito, sempre que me vejo sozinho. Tentando evitar o inevitável. É desnecessário! Ainda que precário, sobretudo injusto, destino incontestável.

Fujo a violência que me leva aos atos sem pensar, busco o silêncio que ainda espera a arte de interpretar o olhar. Aquele que às vezes interrompemos sem saber o que falar. Embriagado pela música crio novos espaços. Olho sem ver além do que a limitação me permita perceber. Em busca de qualquer ideia que me agrade. Continue reading “.gestos”

.óbvio


“Levei tanto tempo para enxergar o óbvio.”

Hoje, chegar não é o crucial, desde que durante a caminhada as pessoas certas estejam comigo. Não tenho o intuito enunciar frases feitas de cartões ou citar pseudo-ensinamentos de auto-ajuda. Só quero deixar registrado que por muito menos drama, seríamos todos mais felizes. Por quantas crises financeiras não passamos? Dificuldades de entendimento? Visões de mundo divergentes? Desavenças tão pequenas que senão fosse à limitação da memória tomariam maiores proporções? Continue reading “.óbvio”

.quem é quem


Algumas situações de emergência evocam medidas desesperadoras. Devemos seguir sempre nossos extintos só porque vivemos a ilusão de mudar aquilo que não é perfeito? Cadê as tais apologias?! O que enxergo é uma overdose de hipocrisia! Aaaaaaaaaaaaaaaaaah… Que falso moralista…

Quando nossas vulnerabilidades estão em jogo, temos de aprender a confiar profundamente em alguém. Entretanto, existem diversas condicionais cuja única variável é sobre o que. Narcisismo distorcido ou diplomas na parede do ego?

No afã de um ou outro pensamento, estamos atentos; aptos à frustração, damos margem à imaginação. Ah… Saudosos dias imaculados que tinham o dom de inundar tudo que era contemplado. Continue reading “.quem é quem”