.aparências


Terminada a página. Fechado o livro. Convicto de que algo havia modificado abruptamente, arraigados e antigos conceitos, me dei conta de que chegara ao destino. Levantei apressado, desajeitado, minutos antes de a porta cerrar atrás de mim.

Enquanto subia as escadas – convencionais, pois encaro cada passo como o compasso, e as rolantes são uma interrupção inesperada numa melodia quase perfeita – contemplei a dança encenada pelas sombras projetadas das pessoas no teto, em consonância com a batida da música que ditava o ritmo dos meus passos. Era uma peça musical, cuja trilha sonora, apenas eu conseguia ouvir em meio ao caos.

Há largos passos, passos vagos, acompanhados e solitários, todos com seus destinos cruzados, incongruentes, porém conectados. Enquanto sombra, parecidos, agora, elevados, estranhos uns aos outros. Tentando descobrir uma explicação plausível para o desconforto de alguns, conclui que talvez seja justamente essa capacidade estabelecida pela luz, que nos de a falsa sensação de que sejamos diferentes. Ninguém vê além de escolhas que não compreende.

São tantas cores, ideias, verdades, interações… Tudo isto atrelado ao que você tem a dizer. Existem inúmeras histórias, de diversos pontos de vista, que podem ser contadas por incontáveis maneiras, cada uma com um significado único. Assim, revelam-se os seres e estabelecemos a nossa identidade.

Nem melhor nem pior, falo da condição de como você se sente a respeito da forma como enxerga as pessoas, livre para reavaliar o que acredita ser o seu âmago inviolável. Sabe, notei que quando se é diferente dos outros, você acaba ficando sozinho. Não por uma escolha pessoal, mas pelo simples fato de que são poucos os inimigos da convenção, habilidosos na arte do desvio de pensamento, sutilmente evidenciado e sentenciado pelo tom de seus olhares.

Nossa desmedida percepção de tempo é a mesma, o que difere um destino do outro, são as escolhas que adotamos. Independente do caminho que trilhamos, o desfecho será o mesmo, e há quem duvide! É claro que isso arruína completamente o argumento daqueles que depositam na sua fé inabalável o motivo que sustente o seu desprezo. Eis a linha de pensamento que torna impossível conduzir uma convivência pacifica entre seres distintos.

Sempre há uma forma de desencorajar uma pessoa arguta, o favorito, é a combinação de pensamentos confusos e dissuadíeis. Trata-se de uma estratégia simples, ela visa minar toda e qualquer probabilidade de retaliação, pois tem por base erradicar da mente alvo, a sua capacidade racional de avaliar o que está a sua volta. Sobreviver é um ato de fé.

Às vezes vivemos sem nos preocupar, sem levar em conta as consequências da juventude. E noutras esquecemos, que a raiz da solução de muitos dos nossos problemas, encontra-se naqueles que representam o futuro. Todos os esforços devem ser voltados a eles, e a base da mudança, resume-se em uma palavra, educação.

.três


Então, é o fim.

Após aquele período que configura a zona de perigo, no qual o final varia de felizes para sempre a espero que haja ao menos diplomacia daqui pra frente. Sim! Falo dos pouco mais de cinco ou seis anos de namoro.

Dos eventos familiares aos encontros casuais e descontraídos dos amigos, no término, todos fazem questão de soltar aquela típica, constrangedora e desnecessária frase – Nooooooossa! Mas vocês terminaram? Aaaaahhh! Formavam um casal tão bonito! – É, formavam. Evite o óbvio.

Apesar de trabalhar com programação, eu nunca fui muito fã de matemática, mas para chegar à conclusão da regra de três, é desnecessário conhecimentos profundos em álgebra, é uma questão mais de humanas do que exatas. A regra de três do relacionamento funciona da seguinte forma, após longos anos de namoro e aquela postura “em cima do muro”, um dos dois fica de saco cheio e resolve “viver a vida” no melhor estilo “vive la vida louca”, passamos por aquele processo inexorável no qual independente da sua vontade, há de se encarar de frente, noites e noites procurando o culpado e eis que você segue com a vida. Legal!

Então, você conhece uma nova pessoa [ o(a) segundo(a) ], afinal, todos sabem, “nada melhor do que um novo amor para esquecer um antigo”, balela! O autor desta citação morreu de desgosto e não satisfeito em sucumbir em frustração misturada com ódio, fez questão de levar outros com ele. Por quê? Bom, cada um precisa do seu tempo, não respeitá-lo significa infringir o curso natural e o resultado? Tenta-se encontrar em outra pessoa, as mesmas qualidades da anterior, damos novamente aquele passo intencional rumo à desordem amorosa.

Aí você pensa – Ok! Talvez até aqui eu concorde e, onde entra a tal regra de três?

Neste ponto, seu(sua) ex- [ o(a) primeiro(a) ] resolve te ligar, para conversar, não que ele(a) queira retomar, não! Não! Mas você, como uma pessoa madura e civilizada topa se encontrar pessoalmente. Não há nada demais em reencontrar alguém que você tenha passado boa parte da sua vida e compartilhado momentos importantes e inesquecíveis, acima de tudo, constituído vínculos duradouros e fortes. O problema é que, dependendo do tempo que tenham terminado, um ou outro sempre retomará aqueles assuntos inacabados e quando menos se espera. Putz! Vocês voltaram.

Para não magoar [ o(a) segundo(a) ] você diz, “estou confuso(a), preciso de um tempo para avaliar melhor o que eu quero”. Após alguns dias você termina com [o(a) segundo(a)]. Por quê? Ah! Porque não seria justo magoa-lo(a) e continuar a arrastá-lo(a) para uma trilha cujo fim trágico poderia ser evidentemente evitado. Porém, por melhor que seja a sua argumentação, este(a), na maioria das vezes revoltado(a), recusa-se a manter contato ou até mesmo entender a logica macabra que o(a) fez optar por voltar com alguém, que até pouco tempo dizia odiar. Peripécias do destino.

Como é bom o doce gosto da ilusão inevitável, não? Pena que o seu efeito é de curta duração, e, agora, você decidido(a) sabe que aquele papo do “eu posso mudar” não cola mais, e não há necessidade de passar novamente por aquele penoso e pesaroso julgamento e reavaliação de valores. Isso mesmo! Assistimos aqui, aquele termino “quase” indolor.

Agora sim! [O(a) primeiro(a)] não tem mais volta, assunto acabado! Finalizado!
Mas já dizia o poeta, “fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho!”. E agora? Que tal tentar algo com [o(a) segundo(a)]? Não! Infelizmente ele(a) não compreenderia, aliás, ele(a) o(a) bloqueou em todos os meios de comunicação possíveis (infantil?!), talvez seja melhor assim. Pois bem, você conhece a terceira pessoa completamente imune a interferências e experiências ruins do passado. Atualmente, amadurecido, você resolve dar-se o direito de tentar investir em alguém do zero. Pronto, com uma probabilidade menor de fracasso em curto prazo.

Eis, o começo.

.pistas


Horas, dias e meses relutantes.  Tramando e travando uma batalha épica com o seu eu lírico, e, eis que você toma coragem para se apresentar. Armado com pouco mais do que esperança num fascínio palpável.

Estuda as formas, os jeitos, assisti a diversos filmes, aconselha-se com amigos, lê alguns livros. Avalia cautelosamente seus movimentos e em frente ao espelho, executa um teste de elenco, cujo monologo pode decidir o seu futuro amoroso. Bom, aí está o sarcasmo, para cobrir a acidental amostra de covardia. Seria perfeito! Não fosse o medo! Nem tudo é uma questão de tempo.

Então… As pistas. Continue reading “.pistas”

.início, meio e recomeço


“Minhas histórias podem ter meio, fim e começo. Mas é o recomeço que caleja e enobrece o coração”@Qrolfashion

Permita-lhes contar uma história, esta como o título, dotada de um início, meio e um recomeço.

Independente da história, situação, época ou outra série de fatores que poderiam ou não influenciar no rumo desta, ao término, não existe efetivamente o fim, por quê? Simples. Tracemos uma analogia à vida, a minha pergunta é:

– Quando ela chega ao fim? Com a morte, correto?

Porém, em certas religiões, quando morremos na verdade estamos iniciando uma nova jornada espiritual, em outras, a vida em si não passa de um processo inexorável evolutivo pelo qual todo ser deva percorrer.

Sendo assim, se a morte como máxima do fim, encontra-se em uma paradoxal contradição. Seja num relacionamento, conflito, parceria, etc… A conclusão para esse pensamento não seria o fim, e sim o recomeço, uma nova forma de enxergar uma determinada situação.

No cinema.


Filme X – Ação.

Filme Y – Romance.

Ele – O que você acha de assistirmos o filme X?!

Ela – Ah… Mas eu queria tanto assistir o Y!

Obs.: Elas fazem aquela carinha, cuja dificuldade de dizer não, transcende a capacidade racional do homem.

Ele – Ah… Mas eu queria tanto assistir esse. O pessoal do escritório está comentando. Eles disseram que é animal!

Ela – Ok! Vamos assistir ao seu filme então.

Obs.: Você para. Reflete. E chega a conclusão que é melhor ganhar alguns “pontinhos”. Então… Continue reading “No cinema.”